Novo projeto: http://novotao.blogspot.com

Archive for março \07\UTC 2010|Monthly archive page

Ode aos poetas si(m)lógicos mortos

In meta linguagem on 7, março, 2010 at 16:12
Eu tenho um pito de revolta do Augusto dos Anjos,
Alguma coisa de parnasiano do Billac,
um pouco da poesia engajada do Drummond
A paixão nos versos,  a herdei de Morais,
E digo mais…
O surrealismo puxei de Mendes combinado com M. Andrade.
E mais Quintana…
Pessoa ressoa em meus pensamentos,
da filosofia que escoa,
E de Alphonsus Guimaraens, Boca do Inferno,
Tenho as lições de liberdade de expressão,
Com os árcades e Clarice Lispector,
Aprendi a valorizar o passado e o campo…
E com os senhores da música,
Aprendi a músi’a  urbana…
E com Oswald,
descobri que nada disso importam mais…
magnificentíssimo
Nada…
E que o silêncio diz ancestrais
medos que não se mudam mais
E que somos o pó, poeira de estrada.
Poetas,
Cujo silêncio diz bem mais bem mais bem mais…
Eu os nego, relego,
E convosco aprendo a escrever…
Eu os nego não os quero
Em meus poemas mas não tem como
não tem como mais,
As influências que não existem…
E que persistem,
São de João Cabral de Melo e Neto
o requício, ranço Cerebral.
E docilmente me anteponho,
Como Bandeira,
na ordem inversa do latim formall,
Sobre formas e conteúdos,
navalhas e rostos sisudos,
Aos poucos destruo,
E reconstruo como não devia de ser.
E por fim, a plêiade homérica
de arquênteros medievais,
Só nos restam os prelúdios ilusionistas ancestrais,
E toda a miríade poética coloquial,
Só me contradizem e homologam,
grande Homero, Shakespeare
a revolução helicoidal dos tempos…
Que abstrato merdal de folhas
antigiências e arsênicas, do mal mesmo
Do mal mesmo. do mal mesmo
Do mal mesmo. Do mal mesmo,
Do mal mesmo…
Pobre dos anjos que viveu entre os infernos dos tempos,
entre os vermes e os banimentos.
Meu horror pelos pútridos parnasianos,
não me excusa da admira de Billac,
Grande poeta que nunca disse nada.
E Drummond, o pai dos pais
da poesia de que conhecemos mais,
Concreta, igual não se faz,
E o poetinha que muito me admira
, tenha de fato amado alguém, uma vez.
Amar a todas, quem não ama?
Mário de Andrade, O chará Quintana,
O Murilo Mendes… Todos caíram do azul,
E foram parar na grama,
e nos versos efetivos da poesia de cama.
No banheiro também se declama.
O Pessoa e Camões destruíram
debulharam
Tudo quanto pudesse compreender
até então resolver,
o que se voa sem se compreender.
Dos demais, nada tenho a dizer.
Só o que me resta é um link
para Leminski
Poder compreender..
Que de tanto sair do passado,
De tanto negar o passado,
E de tanto ser eu mesmo,
Enfim, eu sou alguém
Que Muitos outros também vão ser.
E que, algum dia, alguém há de dizer,
Que fui poeta,
como tantos poetas,
que não fui esteta,
como falsos poetas…
E que cheguei ao topo,
sem ao topo ter ido,
E tido muito sofrido,
Compreendo
O que ninguém vai entender.
Trocando o todo pelo sentido
tosco fechado de um hino,
a poesia que ninguém quer ler…
Está bem,
Tomara que não durma
enquanto não terminar de ler…