Eu tenho um pito de revolta do Augusto dos Anjos,
Alguma coisa de parnasiano do Billac,
um pouco da poesia engajada do Drummond
A paixão nos versos, a herdei de Morais,
E digo mais…
O surrealismo puxei de Mendes combinado com M. Andrade.
E mais Quintana…
Pessoa ressoa em meus pensamentos,
da filosofia que escoa,
E de Alphonsus Guimaraens, Boca do Inferno,
Tenho as lições de liberdade de expressão,
Com os árcades e Clarice Lispector,
Aprendi a valorizar o passado e o campo…
E com os senhores da música,
Aprendi a músi’a urbana…
E com Oswald,
descobri que nada disso importam mais…
magnificentíssimo
Nada…
E que o silêncio diz ancestrais
medos que não se mudam mais
E que somos o pó, poeira de estrada.
Poetas,
Cujo silêncio diz bem mais bem mais bem mais…
Eu os nego, relego,
E convosco aprendo a escrever…
Eu os nego não os quero
Em meus poemas mas não tem como
não tem como mais,
As influências que não existem…
E que persistem,
São de João Cabral de Melo e Neto
o requício, ranço Cerebral.
E docilmente me anteponho,
Como Bandeira,
na ordem inversa do latim formall,
Sobre formas e conteúdos,
navalhas e rostos sisudos,
Aos poucos destruo,
E reconstruo como não devia de ser.
E por fim, a plêiade homérica
de arquênteros medievais,
Só nos restam os prelúdios ilusionistas ancestrais,
E toda a miríade poética coloquial,
Só me contradizem e homologam,
grande Homero, Shakespeare
a revolução helicoidal dos tempos…
Que abstrato merdal de folhas
antigiências e arsênicas, do mal mesmo
Do mal mesmo. do mal mesmo
Do mal mesmo. Do mal mesmo,
Do mal mesmo…
Pobre dos anjos que viveu entre os infernos dos tempos,
entre os vermes e os banimentos.
Meu horror pelos pútridos parnasianos,
não me excusa da admira de Billac,
Grande poeta que nunca disse nada.
E Drummond, o pai dos pais
da poesia de que conhecemos mais,
Concreta, igual não se faz,
E o poetinha que muito me admira
, tenha de fato amado alguém, uma vez.
Amar a todas, quem não ama?
Mário de Andrade, O chará Quintana,
O Murilo Mendes… Todos caíram do azul,
E foram parar na grama,
e nos versos efetivos da poesia de cama.
No banheiro também se declama.
O Pessoa e Camões destruíram
debulharam
Tudo quanto pudesse compreender
até então resolver,
o que se voa sem se compreender.
Dos demais, nada tenho a dizer.
Só o que me resta é um link
para Leminski
Poder compreender..
Que de tanto sair do passado,
De tanto negar o passado,
E de tanto ser eu mesmo,
Enfim, eu sou alguém
Que Muitos outros também vão ser.
E que, algum dia, alguém há de dizer,
Que fui poeta,
como tantos poetas,
que não fui esteta,
como falsos poetas…
E que cheguei ao topo,
sem ao topo ter ido,
E tido muito sofrido,
Compreendo
O que ninguém vai entender.
Trocando o todo pelo sentido
tosco fechado de um hino,
a poesia que ninguém quer ler…
Está bem,
Tomara que não durma
enquanto não terminar de ler…

Eu não dormi antes de terminar de ler
Eu amo suas poesias! Sempre amei, desde que você me apresentou a elas. E essa tá foda, como todas as outras de sua autoria que já li! (desculpe-me pelo vocabulário).