Poema sinceramente dedicado a todos os que atormetaram minha vida durante estes últimos quatro anos; todos o que formaram um preconceito idiota e vil contra minha pessoa; àqueles que me humilharam e indignificaram; aos que agiram baseados em seus preconceitos a respeito de mim; aos que nunca me deram uma segunda chance pra me recuperar. A todos eu sou humildemente grato: sem eles jamais seria o poeta e a pessoa que sou; contudo, se eu preciso melhorar, muitos também – não estou só neste latifúndio e tenho plena convicção de que estou me tornando, aos poucos, um sujeito melhor.
É como se fosse réptil:
A pele escama, seca,
O corpo, pecilotérmico;
É como se fosse réptil:
A fauna e a flora
Do local se escondem;
Desconfiam,
Quem confiaria,
Num jabuti, num lagarto?
Eles querem raposas
e cotias, cães e gatos
Bichos de bom trato.
É como se fosse réptil:
quem confiaria num hermitão
No meio da selva de pedra?
É como se fosse réptil:
Quem vive só, egoísta,
Tem o prêmio da boa caça
“‘té comeria própria raça
Pela melhor colocação?”
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É como se fosse inseto.
Inseto inseto inseto
rola bosta, insignificante.
Escaravelho, carrapato
sentelha ignorante;
A vida toda num instante.
E as sinceras saudações
Aos que agem falsamente,
Mas eles não sabem exatamente
O que os esperam
Insetos,
Só sabem da própria colônia
Como uma casta ralé
de orgulhosos vencededores.
Besouros virulentos
Pestes de humores
que instigam instintos violentos.
A fome dos répteis.
Vivem da caça de mamíferos
E deles.
Os que não são
répteis são insetos.
E os mamíferos… Onde estão?
Alguns poucos agem
De cabeça baixa,
junto com os bandos;
Cuidando para não atormentar
ou ferir os répteis.
Outros, se unem aos de escama.
Quando não agem
Feito aves
Que a esta hora já estão longe.
(confiaria mais na minha águia,
Se a tivesse, que no meu melhor amigo).
E os poucos humanos que sobram
Estes, perdidos na selva de pedra,
Se escondem, por medo e vergonha.