Um poeta maneja as letras de acordo com sua necessidade. Somos crianças que não podemos gritar. Somos o Estado doentio do coma social. Um mundo enegrecido pelo fantasma das luzes gloriosas de uma razão instrumental desditosa.

Posts de Outubro, 2009

Humildade

In Poesia base on 27, Outubro, 2009 at 8:49

“O, mas quem sou eu
Pra dizer que vai ser mestre
Quem sou eu,
Pra dizer quem vai ser?”

“Por favor não confundir
Humildade com humilhação”;

E sair de abstrair
Que só com humilidade
É que se obtém condição
De crescer e evoluir.

Ser pequeno é ser grande,
é saber que tá ‘contecendo,
é maturar e compreender
sem se deixar levar pelo não ser,
Pela massa anencéfala
Midiaticamente espetacular.

aprendamos com os humildes,
Os pobres, os decaídos.
Na simplicidade dos oprimidos
Há força de questão ao sistema:
A própria evolução
Sintática solução do problema…

Dirá você: fora de moda dizer
Sobre mudar o mundo…
Ninguém quer saber;
Ninguém.

Mas não se podeixar de dizer,
de falar…

Sortidos

In Poesia base on 26, Outubro, 2009 at 19:54

I
as olheiras fundas
A pálpebras nauseabundas.
O lamento de morte.
A chuva canta sua queda
junta.
II
As lágrimas na queda
O desalento
A perda
A Pedra.
E o mundo passa
Mais um tanto… Soturno.
III
Espírito rubro
líquido nas veias
queima queima
E cada erro é só
mais um passo ao abismo
Um passo ao absurdo.
IV
As garras mundiais
Sobre os sonos profundos
de Anjos Decaídos
E imagens sacerdotais
Que já não quero mais.
E as garras mundanas…
V
Fez-se dia em treva
Uma vez mais
A escuridão envolvida
Em ti…
Ó tenham pena,
Nobres ancestrais.
VI
Cada passo,
Um erro.
Um passo, dois, três
E três, seis, nove
Anda pra trás!
VII
Será o cadafalso
Da vida morta
O próprio opróbrio
das imposições sociais?
Não há como saber.
Somos seres muito axiais.
E nos esquecemos
ver o mundo
Simples, uma vez mais

A Gênese Revisitada

In Poesia base, meta linguagem on 26, Outubro, 2009 at 10:39

O mundo é uma bola de gude
No mar absurdo de fluídos
Sem nada como todos sentidos
Perdidos em falta no grude
Dos australopitecos ancestrais
Um bola de gude extradimensional
Lançada em convergência
Concêntricas nas forças gravitacionais
A uma boa bola de fogo,
Que esquenta essa bola.

Somos pequenas bactérias
Na bola de gude…
Vivendo na miséria,
De quirelas em quirelas,
Conhecendo o Universo
Desconsiderando o multi…
os multiplanos paralelos,
E as outras bolas de vidro
De encapar a bola de gude
Em que vivemos.

O que conhecemos em nossa
Mente pequena de bactéria
É longe longe de explicar matéria…
E como tudo foi 7 dias,
Na verdade, 13,7 bilhões de anos
Quase 2 bilhões por dia.

E houve um dedo que lançou
Todas as bolas
Do caos inicial,
sendo tiradas da caixa
Do big bang integral,
Surgiu cada cada forma fractal.

E nós, as bactérias,
Somos um cultivo de transgenia
Evolutiva Seletiva Natural.
Sobrevivendo de modo especial.
E temos vaga ideia
do espaço do mundo,
suscetíveis a tudo
Do singelo ao absurdo.

Oras, mas que bobagem
há bactérias que não amam
E negam tudo.
Se’a como for.
Nos resignemos e aprendamos
Com a Grandiosa Natureza.
Deixaremos o estado de baixeza:

Pelo menos seremos
bactérias senhores
Da bolinha azul de gude.

Poema para Aline XLVII

In Poesia base on 23, Outubro, 2009 at 17:43

Olhos que se afungentam
Os nervos que não aguentam
O nada dos teus unguentos
E o pranto do meu lamento…

Somos dois lados do mesmo
Perdido
Espaço.

Somos duas formações
Excêntricas,

E fractais nas nossas
Vidas e nossas cabeças

Somos dois.
Dois geniosos

Em conflito para melhorarmos
Um ao outro.

Somos dois
prólogos e epílogos
do mesmo tango,
da mesma vida
romance de ida.

Somos dois.
Independentes como seres
dependentes,
amantes frementes.

E… Desculpas pelos maus modos
Volta e meia
Sou bicho e sou gente.
Somos…

Então nos perdoamos.
A conclusão fractal disso tudo
se integra numa expressão…
uma função:
Nos amamos.

Aparência…

In Poesia base on 17, Outubro, 2009 at 2:24

“You don’t know how you’re coming across” – Placebo, Come Undone

Gira o tempo e o espaço
Espiriladamente como
Se fosse tudo tudo
Sempre de novo e novamente
Anevoadamente…

E o tempo passa invisível
Invisível humanos somos
Totais, completos chegamos
Com total desalento
Desengano?

Ainda há Deus. Deus Deus…
Nossas faces soberbas
Nos perdemos nas esquinas
Nadando em problemas
Submersos em floemas
Sobram os embutidos de carne
Os enlatados de mesa.
Os enlatados na mesa.
E as ciências todas todas todas todas todas
Entoadas toadas caos. Nadas…
Não consolidadas, tão líquidas quanto
O próprio meio hipocritamente social.

E a forma não nos controla…
Só dita os padrões de comportamento.
(Poetinha dita música.
Poetinha dita poesia.
Poetinha diz bom não bom…
Boêmio fala de fidelidade,
Com nove casamentos
E uma vaga ideia de separação
Como se beleza
Como se beleza…
Dissesse alteza, mas não diz nada.)

E a conclusão…
Você não sabe como
Você está continuando.
Você não sabe como
Parece… Não sabe
A impressão que outrem
De ti padece.

Mulheres da minha vida.

In Poesia base on 17, Outubro, 2009 at 1:41

Faz-se no céu laranja
De fáctuo fogo cacto
Ovo de sistema novo
Passa tanto canto ato.

As quero novas,
Como sempre novas
Galática super-novas
Sistema ressoa trovas.

Luminosidade
Atordoa, subsititui
Completa, salva, flui.

Sejam.
Como nunca nunca nunca
Escondem, esconde, foge…
Ideia forjante de estanho,
ímã, cobre.

Nobre. Nobre.
E sobressai do mundo pobre
-Pobre mundo perdido
Dilacerado, banido…
Aliás sem elas,
Seria mais um dilacerado
Perdido, banido…
Sim.

Digo, mãe,
irmã, namorada
E ideologia.
Como sempre dizia
Não se morre todo dia
Só se vive bem
Se se vive bem cada dia,
E a alegria alheia
Alumia.

Sim, elas.
As mulheres da minha vida.
As quero novas,
Sempre novas,
Super-novas…
E os 497 detalhes
Do céu laranja de seus
humildes espetáculos.

Digo as mulheres da minha vida
E a ideologia,
Multante, como é vida
Como é o dia
A identidade que tenho
Só a fiz por elas.
Só a tenho delas.

In Poesia base on 12, Outubro, 2009 at 23:33

Grotesco II

In Poesia base on 12, Outubro, 2009 at 23:12

Fome, sede, frio…
Bem-vindo animal
Ao mundo que o pariu.

O desejo e a culpa
Em constante luta,
Amargam os floemas
E as seivas brutas.

Alcança-me a lupa!
Não enxergo bem,
Ou será que não há
gente sensata, humana?

O transcorrer profana
Pobre natureza humana
…………………………
Mas sem pena, piedade
ou o que for.
Só sinto fome, sono
e dor.

Gratidão intento.
Ideal mór.

animaninfa II – para Aline XLVII

In Poesia base on 12, Outubro, 2009 at 23:10

Sobrexiste tal fato?
Pode tal encanto engenho
De simples artefato…
E girar o mundo parar
no mesmo lugar tácito?
É que desenho… Destino
E os traços laranjonegros
De arvoredos holografizam
E o que resta a mim?
O que resta enfim…
É só a animaninfa…
-Real, minha ao meu lado.
Verificados garbos
azulverdificados…
Substratos de hidrogênio
sobressaltados
E traços vivos na cor de fá…
Sabores que vejo em lá.
Amarelos rios em vinho…
Mostram correr fininho
Do tempo do som dó
Sol maior que compõe
E os pássaros substraem
Em couro de si bemol,

Animaninfa comigo…
Sempre no abrigo
Da tenda de seda carbonada.
___________________
- Sim, que dúvida…
A animaninfa é minha namorada.

Fiabhras – Fever = Ø » Febre^बुखार =∞

In Poesia base on 6, Outubro, 2009 at 9:01

O coração paupita rápido rápido
Músculo de rubra pepita volúvel
Corroído pelo ácido da distância
Subo nível
da insapiência a Inteligência
Da inteligência ao Conhecer
Do conhecer ao Sentir…

A febre que desnatura,
Também salva.

XLVI – para Aline

In Poesia base on 4, Outubro, 2009 at 14:06

Raspa de vontade minha garganta
Estranha como nunca como nuca
Parada, calada minha boca canta
Só versos nonsense, feito mulanta.

Agora e nunca como feito urca
Velho novo amor se alevanta,
O passado traz a mirta,
Errei ao renegar a murta…

A planta de vênus que se cala
Sem mais nem menos perpassa
A linhagem (in)exorável dos tempos

E quanto mais se abre ala
Mais dela o amor tem graça…
Só ela – Aline – minha amada.