Um poeta maneja as letras de acordo com sua necessidade. Somos crianças que não podemos gritar. Somos o Estado doentio do coma social. Um mundo enegrecido pelo fantasma das luzes gloriosas de uma razão instrumental desditosa.

Desafio do capítulo LV de Dom Casmurro

In The unnamed feeling, Trovas pra ninguém, crítica?, sátira? on 9, Julho, 2009 at 23:27

Oh, Flor do céu! Oh, flor cândida e pura!
Quem que contigo pode, quem te atura?
Quem tal perfeição contraída insinua?
Sois pó e vento, amargura e sofrimento!

Candura nada vale à vida dura
E quanto mais se marchem os buquês
Mais fazem panegíricos a ataduras
Afinal, tal formosura pra quê?!

Enorme mar de gentes morre em fome
grande bando indigente em si poluente
P’ra Elite da Academia* e pince-nez.

Ahh Quem me dera ao menos uma vez**…
‘Cabar de vez com toda essa gentalha***:
- Perde-se a vida, ganha-se a batalha!****

_____
Ao leitor comum:
* Sim, isto é uma crítica direta a Machado. Elitista, mesmo tendo subido na vida, mesmo sendo saído das camadas baixas e tendo cutucado a burguesia, ele o fez de maneira tão sutil que não surtiu lá grande efeito fora do âmbito pessoal. Sem falar que ele advogou pela República, criticando duramente Antônio Conselheiro e Canudos, por quem nutro certa afinidade ideológica. Nada contra a obra dele que até vale como bom material… Homero era filho da aristocracia grega e nem por isso era mau poeta.
** É exatamente copiado do Legião Urbana. Propositadamente.
***Como diria Kiko do Chaves, “Gentalha, gentalha, bzzzz!”
****E sim, é baseado no desafio de escrever esses versos em negritos em um soneto que está em “Dom Casmurro”, no capítulo LV. Uns lugares comuns, umas frases clichês das mais irritantes!,

  1. Interessantes versos. Sinceros até…