Um poeta maneja as letras de acordo com sua necessidade. Somos crianças que não podemos gritar. Somos o Estado doentio do coma social. Um mundo enegrecido pelo fantasma das luzes gloriosas de uma razão instrumental desditosa.

A Pátria

In sátira?, trovasugestiva on 17, Junho, 2009 at 21:54

Ama, com pá e entulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza jaz perpetuamente em sesta,
É um seio de meretriz a bordar pus e vinho.
Vê vida não há no chão! vê a vida só nos ninhos,
Que se perdem sem ar, entre os ramos infetos!
Vê que luz, que calor, somos massa de insetos!
Vê que grande extensão de valas, onde impera
profunda e pantanosa, a eterna pirosfera!

Boa terra! apenas negou a quem trabalha
O pão que mata o nome, o teto que fornalha…

Quem com o seu suor a imola, padece:
Vê raso o seu esforço, e é perdiz, mais faz prece!

Criança! não verás país nenhum como este:
Limita na dureza a terra em que nasceste!