Serenata da Revolução
I
Se o capital é o novo deus
Eu sou o novo satã
à guisa dos espetáculos teus
Morrem sem ver o Sol
Escravos de números ateus.
II
A luz e as trevas se consomem
Sa infusão suplicante dos homens
Perdidos e soterrados na ofensa
Por si só licença e convença
da descrença nestes números ateus.
III
Enquanto morrem, cantam
Diariamente se espantam tanto
com nada relevante nada
realmente em si mutante
Mais do mesmo, a todo instante.
IV
Anjos decaídos, outrora defensores
Agora clamam pelo sangue
dos opressores, superiores arcanjos
Revoltos submersos em remorsos
Dantes esplendor, agora: Revolução!
V
Revolução que nunca chega:
Atacam à força
Degolam os nobres
Põem no poder os pobres
Pobres viram nobres e o ciclo se mantém.
VI
Brandiriam as espadas
A um novo falso deus:
O deus social das leis
Eis o espetáculo e tal se deu:
Luz racional tornou-se breu.
VIII
E toda mídia falaria
Todo tempo, todo dia
Quem foi satã e agora
no poder, como se saíria?
Ditadura nova: da ideologia…
VIII
Trabalham pelo poder monetário
Depois pelo poder político
De sangue sonhos todos societários
Desse viver raquítico
E o verdadeiro bem se perde autoritário.