Um poeta maneja as letras de acordo com sua necessidade. Somos crianças que não podemos gritar. Somos o Estado doentio do coma social. Um mundo enegrecido pelo fantasma das luzes gloriosas de uma razão instrumental desditosa.

Posts de Junho 10th, 2009

Poema do fim do Mundo XI

In Poesia base, crítica? on 10, Junho, 2009 at 21:26

Serenata da Revolução
I
Se o capital é o novo deus
Eu sou o novo satã
à guisa dos espetáculos teus
Morrem sem ver o Sol
Escravos de números ateus.
II
A luz e as trevas se consomem
Sa infusão suplicante dos homens
Perdidos e soterrados na ofensa
Por si só licença e convença
da descrença nestes números ateus.
III
Enquanto morrem, cantam
Diariamente se espantam tanto
com nada relevante nada
realmente em si mutante
Mais do mesmo, a todo instante.
IV
Anjos decaídos, outrora defensores
Agora clamam pelo sangue
dos opressores, superiores arcanjos
Revoltos submersos em remorsos
Dantes esplendor, agora: Revolução!
V
Revolução que nunca chega:
Atacam à força
Degolam os nobres
Põem no poder os pobres
Pobres viram nobres e o ciclo se mantém.
VI
Brandiriam as espadas
A um novo falso deus:
O deus social das leis
Eis o espetáculo e tal se deu:
Luz racional tornou-se breu.
VIII
E toda mídia falaria
Todo tempo, todo dia
Quem foi satã e agora
no poder, como se saíria?
Ditadura nova: da ideologia…
VIII
Trabalham pelo poder monetário
Depois pelo poder político
De sangue sonhos todos societários
Desse viver raquítico
E o verdadeiro bem se perde autoritário.