Um poeta maneja as letras de acordo com sua necessidade. Somos crianças que não podemos gritar. Somos o Estado doentio do coma social. Um mundo enegrecido pelo fantasma das luzes gloriosas de uma razão instrumental desditosa.

Posts de Novembro 8th, 2008

Poema do Fim do Mundo III – Blues

In crítica?, sátira? on 8, Novembro, 2008 at 21:09

Quanto tudo parecer perdido
De tantos mares e espíritos decaídos,
Com o silêncio imortal
Bater potente em seus ouvidos;

E o vento gelara espinha
Até do mais bravo;
E sentir da cozinha
Múrmurios chorosos;

E quando a solidão
Aviltar forte em seu coração;
E o som de cada árvore
E cada planta aterrar a visão!

E a cada sono profundo,
Se sinta mais perto da morte
Aos poucos deixando de ser forte
E todo mal te enegrecer
E toda vida, aos poucos, abandonar

E a corrupção dos homens
Cair sobre ti, como se fosse o único culpado…!
Quando tudo for incerto,
apavorante, inumano;
E toda massa tiver ar cemitério,

Até a iúna cantar
E todo pássaro ficar quieto;
E todo sangue quente
ficar gélido,

E sentir sobre a cabeça os 10^5 Pa
Da pressão de ser o último
De uma raça gloriosa
Que caiu em descrédito

E até as pessoas a quem ama
Voltarem-se contra ti;
E temendo morrer na cama;

E quando por blackout falta luz;
E for noite sem Lua…
Relaxa! Ascende vela,
Escreve versos e toca um blues!