Pobre Cão que passa à máquina
O dia inteiro e nada muda
O mesmo desespero, pátina
De papel amarelado que ser forma
Sobre seus dedos,
Dado a vida para quem, por eles
Apenas nutre desprezo.
Bestial carga lhe sobe contato
E quanto lhe diga o mesmo,
É certo que o incerto Mercado
há de lhe impor medo.
Pobre Cão que passa à máquina
É maior que o auxiliar
Sempre menor que o patrão.
Seu padrão não existe:
O pensamento é só um borrão.
Enquanto isto, fúteis meninos vãos
Que nem sabem o que é graxa
Tentam ganhar uma discussão:
“Não passará do chão de fábrica,
peão!”
Não tem maior dignidade que o cão
Mente corroída de vermes,
Como aprende e aprende tanto
E não aprende a tratar seu irmão?
